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20 Agosto 2020

Responsabilidade social na crise: doar cesta básica é a única solução?

A pandemia do novo coronavírus criou um moderno desafio para as empresas, que estão em um momento crucial entre conciliar o lado financeiro e minimizar os seus impactos, e também, de agir em prol da sociedade, demonstrando comprometimento com as causas sociais, ambientais e de governança das comunidades no seu entorno, parte do chamado ESG (Environmental, Social and Governance, em inglês). Em um mundo em que as expectativas da sociedade com relação às empresas são crescentes, a incorporação dos aspectos sociais e ambientais às estratégias e práticas de governança corporativa ganham destaque e podem resultar em vantagens competitivas às empresas e organizações.

Após a pandemia se instaurar no Brasil e afetar a todos, as empresas, como alicerces e potencial fonte de ajuda, dentre elas financeira, começou a identificar seu papel e uma grande oportunidade de contribuição social. Dentre as diversas ações divulgadas em marketing em que estão colaborando, vemos a preferência pela compra de insumos ou materiais de ajuda pontual, como cestas básicas, até contribuições de suporte médio a longo prazo, como a construção de hospitais de campanha. Isso tudo demonstra que o setor possui interesse em colaborar com a sociedade neste momento. Mas será que essa é a única forma de contribuir? A construção de um ambiente no setor privado mais colaborativo, consciente, com propósitos de geração de valor para todos os stakeholders – acionistas, funcionários, fornecedores, parceiros, clientes e a comunidade – é vital para o crescimento de uma empresa de grande porte. Será que há um estudo de Retorno de Investimento Social por trás dessas ações, ou elas são escolhidas apenas com base no que trará mais marketing para as empresas? Infelizmente muitas das ações são focadas em retorno de marketing e não no impacto verdadeiro do recurso financeiro investido pela empresa, fomentando a conhecida prática de greenwashing.

Uma visão clara disso é justamente problemas que antes recebiam foco e que agora nem tanto, mas não deixaram de existir: o acesso à água e saneamento. Tirando ações de lavatórios, quantas ações vimos durante a pandemia sobre esse tema? Sabemos que ainda existem mais de 35 milhões de pessoas sem acesso à água potável e saneamento no brasil e não é só por que estamos na pandemia que o esse problema deixou de existir. Muito pelo contrário, ele aumentou ainda mais. Com famílias com rendas reduzidas e mais tempo em casa, o gasto com a água passou a ser maior. Sabendo que sem água, ninguém vive. E quem são os mais afetados? Famílias de baixa renda de zonas urbanas ou rurais, esses últimos que muitas vezes nem tem acesso a fonte de água próxima de casa e depende de reservatórios como cisternas que nem sempre estão abastecidas, e quando estão a água pode não ser de qualidade.

Famílias de baixa renda de zonas urbanas ou rurais

E o resultado disso? Maior incidência de doenças de veiculação hídrica entre outras atreladas à má higienização das mãos (tópico que faz parte do saneamento). Vale ressaltar que amostras de esgoto com contribuição de pessoas contaminadas pelo vírus possuem alta carga viral. Como isso pode afetar a transmissão do vírus ainda não é possível afirmar, mas é necessária atenção. Quando as condições de saneamento básico não são atendidas, e a realidade é esgoto à céu aberto e deposição de resíduos sanitários em corpos hídricos, diversos ambientes podem torna-se vetores do novo vírus, principalmente em locais de maior vulnerabilidade socioambiental. Em outras palavras, a escassez hídrica e o saneamento inadequado podem estar ligados à contaminação por COVID-19 e quase ninguém toca nesse aspecto, quase nenhuma empresa faz investimento para solucionar esse problema.

Sabiam que estudos da OMS estimam que a cada R$1,00 investido em água e saneamento (antes da COVID-19) resultam em R$4,00 em economia na Saúde? Isso significa que, se as empresas investissem em saneamento em regiões onde isso é um grande problema, com soluções simples como o Aqualuz (tecnologia da SDW que trata água usando o Sol) muitas pessoas não teriam que ir aos hospitais para tratar de doenças veiculadas pela água, e assim sobraria mais recursos que poderiam ser destinados ao tratamento da COVID-19 ou de outras causas importantes. Será que ninguém parou para pensar nisso antes? O que leva as empresas a seguirem investindo massivamente em mais do mesmo?